• Porque cansei do ativismo virtual feminista

    Tenho que admitir que a militância de internet (ativismo virtual feminista) mudou a minha vida, em todos os aspectos. Eu já fui uma pessoa com zero consciência política, e muito do que sei hoje em dia veio da internet e de pessoas que conheci através dela. Por causa disso e por causa da quantidade de informação que a internet leva a tantas pessoas e da forma que isso pode mudar de forma benéfica a vida delas, eu agradeço muito a essa militância que, desde que eu me aproximei, se mostrou sempre presente.

    Porém, de uns tempos pra cá, eu tenho estado bem desmotivada quanto a isso. Às vezes sinto como se muito do ativismo tivesse perdendo o propósito, e não porque ele deixou de ser importante (ele não deixou), mas porque talvez esteja sendo enveredado por caminhos não tão legais e produtivos quanto poderia estar.  E o que eu quero dizer com isso? Dentro do feminismo, por exemplo, existem diversas vertentes.

    Dentro dessas vertentes, há divergência ideológica em algumas (ou muitas) questões. Por causa disso, eu vejo muitas meninas brigando, se expondo e praticando a tal rivalidade feminina que nós tanto tentamos combater. Honestamente falando, não acho que isso vai chegar a lugar algum.

    Não acho que as divergências serão abolidas e nem acho que precisam ser, mas acho que devem ser respeitadas. Já passou da hora de ouvirmos os que as minas do feminismo negro tem a dizer. Ouvirmos aquela mina que é feminista radical e que sempre foi olhada de um jeito estranho por isso. Ouvirmos o que a mina do feminismo marxista tem a dizer sobre a teoria materialista, já que a vertente não é tão presente como outras vertentes.

    Acho que somos seres capazes de ouvirmos aos outros sem já meter o dedo no print e xingar em algum lugar. Nós somos mulheres, po! Independente de vertente, a gente vai sofrer misoginia nessa sociedade infeliz que vivemos. Se nós não formos por nós, quem será? Sejamos mais pacientes com as minas que tão entrando no feminismo agora. Botemos a mão na consciência e pensemos que muitas minas, principalmente as periféricas, não vão entender aqueles termos em inglês que tem sido tão utilizados.

    Pensemos que uma mina que se diga anti-feminista, como foi o caso da administradora da página no Facebook “Moça, não sou obrigada a ser feminista“, está sujeita a sofrer abuso sexual, e lutemos por ela também apesar de todas as diferenças. Não to falando de passar a mão na cabeça pra tudo que a gente discorda, não. Devemos sim dizer o que pensamos e discordar, mas estaremos ali também caso seja necessário.

    E diante disso me pergunto: de que adianta brigar por vertente? De que adianta tanta gente compartilhando meme xingando homem se na hora de compartilhar post de ajuda para mulheres periféricas ninguém se mostra presente? De que adianta endeusar determinadas companheiras de luta a ponto de não sabermos discernir e admitir quando as mesmas cometem erros? Onde que o nosso feminismo quer chegar?

    Não vou dar uma resposta objetiva pra essa pergunta, só queria causar a reflexão mesmo, principalmente depois do caso de uma menina “feminista” com mais de 50 mil seguidores no instagram postou a imagem de uma faxineira limpando a pichação “lacre” que ela fez na parede de um estabelecimento.

    Ativismo Virtual Feminista

    De que adianta pichar “girl power” no banheiro da sua faculdade  pra tirar foto e postar no instagram se quem vai limpar na vida real é uma mulher (na maioria das vezes negra) que mora numa comunidade do outro lado da cidade e que pega três transportes diferentes pra estar lá limpando o banheiro que você usa?

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